segunda-feira, 8 de março de 2021

 


Já li o livro de Teolinda Gersão há alguns dias, mas por ser hoje alegadamente “O Dia Mundial da Mulher” talvez seja esta a melhor altura para publicar algumas notas sobre esta obra.

O livro inclui três novelas sobre a família Mann onde nasceu Thomas Mann , Nobel da Literatura.

Nas duas primeiras a autora imagina duas cartas uma escrita por Freud e destinada a Thomas Mann e outra de Thomas Mann para Freud. A partir destes registos podemos intuir a personalidade de Thomas Mann e as suas dificuldades de relacionamento com os outros.

A terceira novela é a que dá o nome ao livro. Nela a autora debruça-se sobre a vida de Júlia Mann a mãe de Thomas Mann.

Filha de um rico fazendeiro alemão que vivia no Brasil, Júlia era também filha de uma brasileira de ascendência portuguesa e índia. Após a morte da mãe , o pai leva-a assim como os irmãos para viverem com familiares na Alemanha, na cidade de Lubeck. A vida de Júlia vai decorrer num ambiente burguês e repressivo em que era objecto de preconceito devido às suas origens( do sul e mestiça).

Com dezassete anos casa-se mercê de um casamento arranjado pelo pai como era costume na época e na sociedade em que vivia. O casamento traz-lhe as “obrigações” impostas por uma sociedade burguesa em que a mulher tinha com únicos objectivos e funções assegurar o bem estar dos filhos e do marido.

Mesmo assim conseguem divisar-se nesta vida pouco gratificante uns laivos de inconformismo e rebeldia fruto das sua origens. Só após a morte do marido Júlia poderá manifestar os seus anseios ao mudar-se com os filhos para Munique.


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