Já li o livro de Teolinda Gersão há alguns dias, mas por ser hoje
alegadamente “O Dia Mundial da Mulher” talvez seja esta a melhor
altura para publicar algumas notas sobre esta obra.
O livro inclui três
novelas sobre a família Mann onde nasceu Thomas Mann , Nobel da
Literatura.
Nas duas primeiras a
autora imagina duas cartas uma escrita por Freud e destinada a Thomas
Mann e outra de Thomas Mann para Freud. A partir destes registos
podemos intuir a personalidade de Thomas Mann e as suas dificuldades
de relacionamento com os outros.
A terceira novela é
a que dá o nome ao livro. Nela a autora debruça-se sobre a vida de
Júlia Mann a mãe de Thomas Mann.
Filha de um rico
fazendeiro alemão que vivia no Brasil, Júlia era também filha de
uma brasileira de ascendência portuguesa e índia. Após a morte da
mãe , o pai leva-a assim como os irmãos para viverem com familiares
na Alemanha, na cidade de Lubeck. A vida de Júlia vai decorrer num
ambiente burguês e repressivo em que era objecto de preconceito
devido às suas origens( do sul e mestiça).
Com dezassete anos
casa-se mercê de um casamento arranjado pelo pai como era costume na
época e na sociedade em que vivia. O casamento traz-lhe as
“obrigações” impostas por uma sociedade burguesa em que a
mulher tinha com únicos objectivos e funções assegurar o bem estar
dos filhos e do marido.
Mesmo assim
conseguem divisar-se nesta vida pouco gratificante uns laivos de
inconformismo e rebeldia fruto das sua origens. Só após a morte do
marido Júlia poderá manifestar os seus anseios ao mudar-se com os
filhos para Munique.