domingo, 30 de agosto de 2020

 





Albert Manguel tem estado desde sempre ligado ao mundos dos livros e da escrita. Aos 16 anos já trabalhava na livraria Pygmalion na Argentina. Entre 1964 e 1968 foi um dos jovens que leu em voz alta para Jorge Luis Borges, cego desde os cinquenta e oito anos.

Manguel lia para Borges à noite em casa do escritor. Foi essa prática continuada que , mais tarde deu origem a este pequeno livro de “Memórias”. Sem ser exaustivo Manguel deixa adivinhar a personalidade de Borges .

“ Para Borges a essência da realidade encontrava-se nos livros; ler livros, escrever livros,falar de livros.”

O escritor tinha uma memória prodigiosa. A sua biblioteca tinha poucos livros tendo em conta que era um escritor apaixonado pelos livros. Os seus próprios livros não faziam parte do acervo da sua biblioteca.

“ o seu género literário preferido era a epopeia, e adorava policiais”.

O escritor gostava muito de conversar. Achava que tinhamos o dever de ser felizes e que os livros ajudavam. “Não sei exactamente porque é que acredito que o livro nos pode ar a felicidade.

No final do livro, no Prólogo à edição portuguesa, Manguel fala de uma visita de Borges a Portugal de Lisboa e para o norte do país. Conheceu e privou com António Ferro. Gostava de Eça de Queiroz

cujas obras integravam a sua biblioteca. O escritor orgulhava-se das suas raízes portuguesas.

È um pequeno livro muito agradável de se ler.


Elvira Sampaio

sábado, 15 de agosto de 2020

Nos 50 anos

 


Foi há 50 anos, 50 anos é uma vida. Há quem viva menos.

Lembro-me deste dia, de me levantar cedo para ir à cabeleireira no Arieiro. Fui de autocarro e pensava olhando os outros passageiros. Mal sabem eles que me caso hoje, que vai haver uma grande festa e que se vai abrir um novo capítulo na minha vida. O passo que ia ser dado era muito importante, cheio de dúvidas e e incertezas. Ao João faltava ainda um ano de serviço na Guiné em plena guerra colonial. A situação estava tão má que já nem era permitido que as mulheres

dos militares irem com eles. Eu ficava em casa dos meus pais e continuaria a dar aulas no Gil Vicente, o meu liceu, que sempe me tinha acolhido bem e que agora serviria para me consolar deste afastamento.

Tudo me parecia irreal. O João tinha chegado da Guiné uma semana antes da cerimónia. Por cá estava tudo preparado, até um alfaiate tinha sido contratado para fazer o fato do noivo em três dias.

O Copo d’Agua foi no Tenis de Monsanto, servido pela Pastelaria Suiça “que Deus haja”.

A breve Lua de Mel foi passada m Coimbra, Porto e Sines mediante viagens de comboio.

Depois o afastamento e mais uma vez a incerteza.O futuro é sempre incerto mas este era ainda mais pois estávamos em tempo de guerra.

Não digo que foi “num abrir e fechar de olhos”, mas sem sentirmos demasiado o peso do tempo chegámos aos 50anos, 50 anos com tudo o que de bom e menos bom neles se podia albergar.

Hoje sinto que valeu a apena este percurso apesar as dificuldades e principalmene pelos momentos positivos para os quais os dois contribuimos. De entre eles duas filhas e uma neta foram certamente os melhores.

Continuemos...

quinta-feira, 7 de maio de 2020

Crónica em tempos de pandemia


Premonição?

Hoje pela manhã fui à cozinha e ouvi um bzzzzzzzzzzzzz muito intenso. 
Junto à janela um grande besouro debatia-se para escapar da teia de uma aranha minúscula.

 Foi uma luta difícil. A despeito das maiores dimensões do besouro, este debatia-se aterrorizado.
Entretanto a aranha parece ter tomado consciência do seu tamanho e da luta desigual que sustentava.


 Decidiu afastar-se e o besouro pôde finalmente respirar de alívio e fugir para a rua para gozar da sua liberdade.


Salvo as devidas diferenças não será isto o que se está a passar?

sábado, 2 de maio de 2020

A "maldição" dos sábados


Hoje é sábado. Para mim o sábado é, e sempre foi um não dia. È o dia que faz a ponte para a próxima semana. É o dia da preguiça mesmo na reforma, mesmo em tempo de confinamento. É um dia de pausa. O dia em que nada se começa e nada se define. E ,se por algum acaso ou necessidade começo ou faço algo de mais importante e decisivo é claro que não dá certo. Não consigo encontrar uma explicação para este meu comportamento. Talvez não seja necessária ou possível encontrá-la. Terei que me submeter a este “destino”.

sexta-feira, 24 de abril de 2020

Memórias de Abril



Faz hoje 46 anos vivia em Lisboa e era professora no Liceu Gil Vicente na Graça.
Nesse dia fiz exame de condução. Terminado o exame (Junto à Praça de touros do Campo Pequeno) resolvi dar um passeio pela Avenida da República. No caminho encontrei uma colega do Gil Vicente que costumava ser muito reivindicativa. Nesse contexto referi de forma bastante indignada um certo decreto que tinha acabado de sair sobre a educação que nos prejudicava. Eu estava verdadeiramente irritada com a situação e fiz-lhe sentir a minha posição. No entanto e, para meu espanto a colega limitou-se a dizer: Não te preocupes isso já não interessa. E por mais que eu insistisse ela respondia sempre o mesmo. Deixei de insistir e retomei o meu passeio. No dia seguinte, 25 de Abril percebi o que ela tinha querido dizer-me e ainda mais quando soube que ela era a companheira de um dos capitães de Abril.