terça-feira, 8 de outubro de 2019

Kafka e as eleições




Imaginem um casal que sabe vir a estar deslocado da sua residência habitual à data das eleições.
 Decide aproveitar a possibilidade que a lei lhe dá de “votar em mobilidade”. Para tal e, dentro do prazo requerido enviou para o MAI uma carta com aviso de recepção. Nela foram introduzidos dois impressos devidamente preenchidos e assinados, um para cada um dos cônjuges. Uma semana antes da votação geral e, ainda de acordo com a lei, o dito casal deslocou-se à capital do distrito onde se encontravam para exercerem o seu direito de voto.
Ao apresentarem-se junto da mesa da assembleia de voto depararam-se com uma situação, no mínimo, inusitada. O marido votou, quanto à companheira, o seu nome não constava dos cadernos eleitorais. Com a assistência de uma funcionária da Câmara Municipal foi feita imediatamente uma interpelação ao MAI sobre o sucedido. Rapidamente o MAI se pôs em contacto telefónico com a queixosa. Depois de algum tempo acabou por esclarecer que de facto tinham sido enviados dois boletins de inscrição, mas que alguém (algum funcionário) os tinha agrafado e só tinha dado despacho ao primeiro. Perante a revolta da lesada a funcionária do MAI apressou-se “a lamentar o sucedido e apresentar as suas desculpas assim com as do Secretário de Estado”. Apesar de tudo, dizia a funcionária a “reclamante” poderia, de acordo com a lei, votar no dia das eleições (dia 6) no local da sua residência habitual. Como a inscrição para votar em mobilidade fora feita pelo facto de, no dia da votação normal a queixosa não se poder deslocar ao local da sua residência habitual é claro que não votou.
Por incompetência e burocracia dos serviços uma eleitora foi impedida de votar!!! 
A lesada fui eu e, pela primeira vez não votei.
Não digam que não é uma situação kafkiana!!!