D. Aldonça
Costumo levantar-me cedo. A seguir sento-me na salinha em
frente à janela. Ligo o computador e leio as notícias. Ontem mais uma vez
cumpri esta rotina. De tempos a tempos vou olhando pela janela. Observo o
nascer do sol e a sua subida no horizonte, espio o que se passa no jardim. Foi
numa destas minhas olhadelas para o exterior que vi o que me pareceu ser uma
imensa teia de aranha.
Rapidamente dirigi-me ao jardim devidamente “armada” com
a máquina fotográfica. Já cá fora deparei-me com uma teia soberba disposta
sobre uma piteira exuberante. Sempre gostei das teias de aranha, não sei bem
porquê. Talvez pela sua leveza e pelo trabalho de perfeição e paciência que em
si encerram.
Esta era maior do que as que comummente observo. Era e é bonita. E
ao centro, em posição descanso lá estava a aranha. Uma aranha de grandes
dimensões. Das maiores que já vi em situações destas. Uma aranha assim só podia
designar-se de Aldonça, D. Aldonça. Que outro nome podia ter do que de uma dama
medieval, forte e com garra (garras). Chegada a este ponto gostava de ter
trocado com ela umas ideias, mas não sei falar com aranhas nem as entendo.
Gostava de saber se era ma aranha vulgar, conformada com a seu destino de fazer
teias onde se irá enredar o seu parceiro. Ou se seria uma aranha anti natura
como aquela a que Mia Couto se refere no seu conto “A infinita fiadeira. Esta
era uma aranha cuja única preocupação ao fabricar a teia, as teias era a de
expressar os seus sentimentos criando obras de arte, à revelia do que os pais
aranhões e os amigos defendiam.
Sem conseguir obter respostas para as minhas interrogações
resolvi deixa em paz a D. Aldonça e permitir que desfrute do meu jardim. Porém
não pude deixar de lhe chamar a atenção que o seu caso era especial e nada de
chamar amigos ou amigas. O meu jardim é propriedade privada e ainda não o
transformei em AL (alojamento local).