Albert Manguel tem estado desde sempre ligado ao mundos dos livros e da escrita. Aos 16 anos já trabalhava na livraria Pygmalion na Argentina. Entre 1964 e 1968 foi um dos jovens que leu em voz alta para Jorge Luis Borges, cego desde os cinquenta e oito anos.
Manguel lia para Borges à noite em casa do escritor. Foi essa prática continuada que , mais tarde deu origem a este pequeno livro de “Memórias”. Sem ser exaustivo Manguel deixa adivinhar a personalidade de Borges .
“ Para Borges a essência da realidade encontrava-se nos livros; ler livros, escrever livros,falar de livros.”
O escritor tinha uma memória prodigiosa. A sua biblioteca tinha poucos livros tendo em conta que era um escritor apaixonado pelos livros. Os seus próprios livros não faziam parte do acervo da sua biblioteca.
“ o seu género literário preferido era a epopeia, e adorava policiais”.
O escritor gostava muito de conversar. Achava que tinhamos o dever de ser felizes e que os livros ajudavam. “Não sei exactamente porque é que acredito que o livro nos pode ar a felicidade.
No final do livro, no Prólogo à edição portuguesa, Manguel fala de uma visita de Borges a Portugal de Lisboa e para o norte do país. Conheceu e privou com António Ferro. Gostava de Eça de Queiroz
cujas obras integravam a sua biblioteca. O escritor orgulhava-se das suas raízes portuguesas.
È um pequeno livro muito agradável de se ler.
Elvira Sampaio

