terça-feira, 5 de março de 2019


2019


Março (2ªsemana)

AS AMORAS

O meu país sabe as amoras bravas
no verão.
Ninguém ignora que não é grande,
nem inteligente, nem elegante o meu país,
mas tem esta voz doce
de quem acorda cedo para cantar nas silvas.
Raramente falei do meu país, talvez
nem goste dele, mas quando um amigo
me traz amoras bravas
os seus muros parecem-me brancos,
reparo que também no meu país o céu é azul.


segunda-feira, 4 de março de 2019

Requiem pela Pastelaria Suíça


Há algum tempo li a notícia de que a Pastelaria Suíça ia fechar. A “Suíça” ia fechar. Fiquei triste, mas com o correr do tempo acabei por esquecer.
Na 2ª feira passada fui colocada frente a essa realidade. Tendo ido tratar duns assuntos a Lisboa, na 2ªfeira de manhã fui, como de costume tomar o café à Baixa. Apanhei o Metro e saí no Rossio.



 Ao sair do Metro deparei-me com uma parede nua e fria, com portas e janelas fechadas, tudo cinzento e deserto à beira de um passeio sem esplanada. Estava à porta da Pastelaria Suíça. Que tristeza, que sensação de perda. Foi a “Suíça “que serviu o copo de água do meu casamento já lá vão quase 50 anos. Durante muitos anos foi um local que eu sempre procurava quando vinha a Lisboa para beber um café ou comer um bolo. Antes da última remodelação, lembro-me das mesas que existiam no seu interior. Da clientela muito peculiar que eu tanto gostava de observar. Depois desapareceram as mesas com as cadeiras e deram lugar àquelas mesas altas e desagradáveis, mas a pastelaria continuava. Até agora que desapareceu completamente. É mais um ícone de Lisboa que desaparece para dar lugar não sei a quê, mas muito provavelmente a novas lojas daquelas internacionais que encontramos tanto aqui em Portugal como em qualquer outro pais, sem originalidade. Sinal dos tempos, não um mau sinal dos tempos.