Foi há 50 anos, 50 anos é uma vida. Há quem viva menos.
Lembro-me deste dia, de me levantar cedo para ir à cabeleireira no Arieiro. Fui de autocarro e pensava olhando os outros passageiros. Mal sabem eles que me caso hoje, que vai haver uma grande festa e que se vai abrir um novo capítulo na minha vida. O passo que ia ser dado era muito importante, cheio de dúvidas e e incertezas. Ao João faltava ainda um ano de serviço na Guiné em plena guerra colonial. A situação estava tão má que já nem era permitido que as mulheres
dos militares irem com eles. Eu ficava em casa dos meus pais e continuaria a dar aulas no Gil Vicente, o meu liceu, que sempe me tinha acolhido bem e que agora serviria para me consolar deste afastamento.
Tudo me parecia irreal. O João tinha chegado da Guiné uma semana antes da cerimónia. Por cá estava tudo preparado, até um alfaiate tinha sido contratado para fazer o fato do noivo em três dias.
O Copo d’Agua foi no Tenis de Monsanto, servido pela Pastelaria Suiça “que Deus haja”.
A breve Lua de Mel foi passada m Coimbra, Porto e Sines mediante viagens de comboio.
Depois o afastamento e mais uma vez a incerteza.O futuro é sempre incerto mas este era ainda mais pois estávamos em tempo de guerra.
Não digo que foi “num abrir e fechar de olhos”, mas sem sentirmos demasiado o peso do tempo chegámos aos 50anos, 50 anos com tudo o que de bom e menos bom neles se podia albergar.
Hoje sinto que valeu a apena este percurso apesar as dificuldades e principalmene pelos momentos positivos para os quais os dois contribuimos. De entre eles duas filhas e uma neta foram certamente os melhores.
Continuemos...

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