2019
O ANO DE SOPHIA
No
centenário do nascimento de Sophia de Mello Breyner Andresen decidi publicar
semanalmente um dos seus poemas como forma de reconhecimento pela poetisa e
pela mulher que foi.
JANEIRO
(2ª semana)
MULHERES À
BEIRA-MAR
Confundido
os seus cabelos com os cabelos
do vento, têm o corpo feliz de ser tão seu e
tão denso em plena liberdade.
Lançam os braços pela praia fora e a brancura
dos seus pulsos penetra nas espumas.
Passam aves de asas agudas e a curva dos seus
olhos prolonga o interminável rastro no céu
branco.
Com a boca colada ao horizonte aspiram longa-
mente a virgindade de um mundo que nasceu.
O extremo dos seus dedos toca o cimo de
delícia e vertigem onde o ar acaba e começa.
E aos seus ombros cola-se uma alga, feliz de
ser tão verde.
Sophia de Mello Breyner Andresen | "Antologia", pág. 76 | Círculo de Poesia Moraes Editores, 2ª. edição, 1975
do vento, têm o corpo feliz de ser tão seu e
tão denso em plena liberdade.
Lançam os braços pela praia fora e a brancura
dos seus pulsos penetra nas espumas.
Passam aves de asas agudas e a curva dos seus
olhos prolonga o interminável rastro no céu
branco.
Com a boca colada ao horizonte aspiram longa-
mente a virgindade de um mundo que nasceu.
O extremo dos seus dedos toca o cimo de
delícia e vertigem onde o ar acaba e começa.
E aos seus ombros cola-se uma alga, feliz de
ser tão verde.
Sophia de Mello Breyner Andresen | "Antologia", pág. 76 | Círculo de Poesia Moraes Editores, 2ª. edição, 1975

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