segunda-feira, 1 de outubro de 2018

História de uma aranha e da sua teia


D. Aldonça

Costumo levantar-me cedo. A seguir sento-me na salinha em frente à janela. Ligo o computador e leio as notícias. Ontem mais uma vez cumpri esta rotina. De tempos a tempos vou olhando pela janela. Observo o nascer do sol e a sua subida no horizonte, espio o que se passa no jardim. Foi numa destas minhas olhadelas para o exterior que vi o que me pareceu ser uma imensa teia de aranha. 




Rapidamente dirigi-me ao jardim devidamente “armada” com a máquina fotográfica. Já cá fora deparei-me com uma teia soberba disposta sobre uma piteira exuberante. Sempre gostei das teias de aranha, não sei bem porquê. Talvez pela sua leveza e pelo trabalho de perfeição e paciência que em si encerram.



 Esta era maior do que as que comummente observo. Era e é bonita. E ao centro, em posição descanso lá estava a aranha. Uma aranha de grandes dimensões. Das maiores que já vi em situações destas. Uma aranha assim só podia designar-se de Aldonça, D. Aldonça. Que outro nome podia ter do que de uma dama medieval, forte e com garra (garras). Chegada a este ponto gostava de ter trocado com ela umas ideias, mas não sei falar com aranhas nem as entendo. Gostava de saber se era ma aranha vulgar, conformada com a seu destino de fazer teias onde se irá enredar o seu parceiro. Ou se seria uma aranha anti natura como aquela a que Mia Couto se refere no seu conto “A infinita fiadeira. Esta era uma aranha cuja única preocupação ao fabricar a teia, as teias era a de expressar os seus sentimentos criando obras de arte, à revelia do que os pais aranhões e os amigos defendiam.
Sem conseguir obter respostas para as minhas interrogações resolvi deixa em paz a D. Aldonça e permitir que desfrute do meu jardim. Porém não pude deixar de lhe chamar a atenção que o seu caso era especial e nada de chamar amigos ou amigas. O meu jardim é propriedade privada e ainda não o transformei em AL (alojamento local).

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